Entregar ou não? Muito além da paixão
A discussão é inevitável nessa reta final de Brasileirão: o Grêmio deve ou não entregar o jogo contra o Flamengo, e assim tirar com certeza absoluta o título do Inter? Essa semana só se fala disso nos noticiários esportivos gaúchos, e também do resto do país. Fala-se muito em paixão clubística, em rivalidade e em ética. Mas pra mim essa é uma decisão que vai muito além disso tudo.
Eu, como gremista, nunca quero que o Inter ganhe um título. E ao mesmo tempo não quero que o Grêmio entregue jogos, isso vai contra o que é o Grêmio para mim. Mas parece estar claro que à vontade de boa parte da torcida é de que o time perca para o Flamengo domingo. E a torcida, jogadores e dirigentes colorados já tem certeza de que isso ocorrerá. Só que essa percepção, tanto de gremistas quanto de colorados, é extremamente limitada e cega.
Primeiro, não basta o Grêmio ganhar. O Inter precisa vencer o Santo André, que vem ao Rio Grande do Sul desesperado para tentar escapar do rebaixamento. Mas só hoje se começou a falar disso. Outra coisa, ninguém parece lembrar que o Grêmio tem um aproveitamento pífio fora de casa, que venceu apenas o Náutico esse ano, e que não vence o Flamengo no Maracanã há pelo menos três anos.
Mas vamos além. Sejamos mais racionais ainda. Qual jogador do elenco atual do Grêmio irá permanecer no Olímpico até o fim de sua carreira? A resposta é nenhum. Todos sairão um dia do clube, muitos no fim desta temporada. Alguém já parou para pensar no quanto a decisão de entregar um jogo pesará para o futuro desses atletas? Que clube irá contratar jogadores que, deliberadamente, perdem um jogo? Quem confiará em um atleta que deixa de vencer uma partida escancaradamente? Ninguém, pois alguém que faz isso, é capaz de aceitar coisas piores. Isso sem contar as possíveis punições do STJD.
No entanto, a torcida gremista em peso quer derrota do Grêmio. E isso torna tudo muito complicado. Ao não entregar o jogo e, mais do que isso, vencer a partida, os jogadores responsáveis por isso ficarão marcados. Os dirigentes, que já não são muito bem quistos, serão praticamente excomungados. E existe uma grande possibilidade de que aquela meia dúzia de marginais que todas as torcidas tem reajam de maneira violenta contra o cara que ousar marcar um gol, ou aos dirigentes que não determinaram a derrota.
Eu não queria estar na pele de ninguém nessa hora. Mas penso da seguinte forma: primeiro, acho que o Grêmio não ganha o jogo ao natural, vide a campanha ridícula fora de casa e os últimos resultados contra o Flamengo lá no Rio. Mesmo assim, por precaução, creio que jogadores que devem permanecer no Olímpico em 2010 não devem ser escalados, como medida de segurança. Vão argumentar que tirar os titulares do jogo é facilitar para o Flamengo. Mas, vamos e convenhamos, se o Grêmio perder essa partida, seja com titulares ou reservas, vai chover gente para afirmar que entregaram o resultado, mesmo que isso não aconteça de fato.
Por último, mas não menos importante: cada um precisa fazer o seu. Se o Inter, o Flamengo, o São Paulo ou o Palmeiras querem ser campeões, que façam as suas partes. Vitória no futebol é, acima de tudo, competência. E merece ficar com o título quem for competente.





Seria muito fácil eu me omitir sobre o caso Elicarlos x Maxi López, ocorrido na partida entre Grêmio e Cruzeiro pela semi-final da Libertadores. Afinal, raramente posto sobre futebol no blog. Mas vou comentar minhas primeiras impressões sobre isso, que ainda vai dar muito pano para manga.